• Jéssica Iancoski

Poesia: Ora direis ouvir estrelas | Olavo Bilac Via Láctea

O poema Ora direis ouvir estrelas de Olavo Bilac marca a estreia do poeta parnasiano.


É o soneto número XII da coleção Via Láctea e se consagrou como a parte mais famosa do poema.


Foi publicado em 1888, fazendo parte do movimento literário parnasiano.


Esse soneto de Olavo Bilac é considerado um dos poemas mais bonitos do Brasil.


Poema Ora direis ouvir estrelas completo


"Ora (direis) ouvir estrelas! Certo Perdeste o senso!" E eu vos direi, no entanto, Que, para ouvi-las, muita vez desperto E abro as janelas, pálido de espanto...

E conversamos toda a noite, enquanto A via-láctea, como um pálio aberto, Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto, Inda as procuro pelo céu deserto.

Direis agora: "Tresloucado amigo! Que conversas com elas? Que sentido Tem o que dizem, quando estão contigo?"

E eu vos direi: "Amai para entendê-las! Pois só quem ama pode ter ouvido Capaz de ouvir e de entender estrelas."

Análise do poema Ora (direis) ouvir estrelas


Este poema de Olavo Bilac faz parte do livro de sonetos Via Láctea.


É o XII soneto da coleção.


Faz parte do movimento literário parnasianismo.


Contexto e Tema


O tema do poema é o Amor.

Acredita-se que a inspiração para o poema teria sido uma paixão que Olavo Bilac teria por Amélia de Oliveira (1868-1945).


Amélia de Oliveira era irmã de Alberto de Oliveira (1857-1937).

Alberto de Oliveira era o líder do movimento parnasiano.


Olavo Bilac e Amélia de Oliveira se conheceram em encontros poéticos.


Os dois tiveram um namoro muito intenso por quatro anos até que noivaram.


O relacionamento dos dois passou por uma crise porque o irmão mais velho de Amélia, José Mariano, não queria que ela se cassasse com um poeta.


José Mariano tinha um preconceito muito comum para a época: ele era conservador e acreditava que poetas eram um mau caminho.


Esta crise faz com que o relacionamento deles termine.


Olavo Bilac e Amélia de Oliveira se separam mais continuaram se amando e escrevendo poemas um para o outro, mesmo após a separação.


Os dois sonhavam, através dos seus versos, que terminariam juntos de novo.


Isto não aconteceu.


Contudo, alguns desses versos de amor, por parte de Bilac, se tornaram eterno no livro Via Láctea.


O Poema


No poema, um eu-lírico apaixonado dialoga com as estrelas. Mas é acusado de estar louco.

Uma interpretação não literal seria a dualidade entre a emoção e a razão.


"Ora (direis) ouvir estrelas! Certo Perdeste o senso!"

Contudo, o eu-lírico parece não se importar muito com isto, pois reconhece em si a necessidade de conversar com elas.


Conversar com as estrelas pode ser compreendido como um exercício de sonhar, provavelmente com a amada.


O eu-lírico parece estar tão apaixonado que ele deixa as janelas abertas para poder ouvir melhor as estrelas e assim sonhar ainda mais com a amada.


E conversamos toda a noite, enquanto A via-láctea, como um pálio aberto, Cintila.

Contudo, quando amanhece e já não há mais estrelas, o eu-lírico ainda sente a necessidade de continuar sonhando com a amada e por isto procura pelas estrelas no céu.


E, ao vir do sol, saudoso e em pranto, Inda as procuro pelo céu deserto.

Com o amanhecer, parece que a razão, marcada por um interlocutor, volta a aparecer para dizer que o eu-lírico só pode ter enlouquecido e, ainda por cima, contesta o sentido de tudo aquilo.


"Tresloucado amigo! Que conversas com elas? Que sentido Tem o que dizem, quando estão contigo?"

Diante dessas acusações, o eu-lírico, então, responde, que só quem tem amor pode se sentir apaixonado ao ponto de ouvir as estrelas falarem.


"Amai para entendê-las! Pois só quem ama pode ter ouvido Capaz de ouvir e de entender estrelas.

Por mais que acredite-se que esse poema tenha sido feito para Amélia, ele foi construído de forma universal, fazendo sentido para todos os tipos de amor.


Normalmente, o amor vem muito associado com a dialética entre razão e emoção. E, talvez, seja essa uma das interpretações que o poema aceita.


A forma do poema é um soneto clássico.


O esquema das rimas é (ABAB BABA CDC EDE).


Declamando Poesia


Disponibilizamos a Poesia Ora Direis Ouvir Estrelas do Olavo Bilac recitada por Jéssica Iancoski.



Adaptação Infantil


Você sabia que este poema também foi adaptado para a Literatura Infantil?

Ele ficou muito divertido! Ganhou até ilustrações!


Está disponível tanto em texto quanto em áudio!


Para ler ,você pode conferir o post:

História para Dormir - Ouvir Estrelas Olavo Bilac |Adaptação História Infantil


E se você quiser ouvir, basta procurar por Podcast Histórias Para Dormir no seu player favorito!


A história está disponível no Spotify, Deezer, iTunes, CastBox e muitos outros!



Olavo, o menino que Ouvia Estrelas


A história conta sobre Olavo, um menino que gostava muito de conversar com as estrelas, porque queria aprender coisas importantes com elas.




Biografia de Olavo Bilac


Olavo Brás Martins dos Guimarães Bilac nasceu no Rio de Janeiro em 1825.


Ele foi um dos principais escritores brasileiros, tendo escrito poesias, contos, cronicas e contribuindo para jornais.


Ele é considerado o principal representante do movimento parnasiano no país.


Olavo Bilac foi o responsável pela criação do Hino à Bandeira.


Em 1907 ficou conhecido como O Principe dos Poetas, pela revista fon-fon.


É autor de muitos sonetos brasileiros consagrados.


Principais obras de Olavo Bilac


  • Conferências literárias (1906);

  • Crítica e fantasia (1904);

  • Crônicas e novelas (1894);

  • Dicionário de rimas (1913);

  • Ironia e piedade, crônicas (1916);

  • Poesias (1888);

  • Tratado de versificação (1910)


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