• Jéssica Iancoski

23 Poemas Infantis | Poesia para Ler com Criança

No Brasil a Poesia Infantil só conseguiu se consolidar há algumas décadas, consequência da marginalização da Literatura Infantil.


Por muito tempo a Literatura Infantil foi entendida como um gênero menor, ligado apenas a divertimento, a passatempo ou a ensinamento.


Foi justamente esse compreendimento equivocado que afetou a recepção da poesia destinada ao público infantil.


Contudo, há algum tempo, isto tem mudado em passinhos de formiguinhas.


A ruptura desse pensamento revitalizou os textos poéticos voltados ao publico infantil.


Mas ainda vemos muitos professores que continuam rejeitando a leitura de poesia na sala de aula, afirmando que as crianças não se interessam por esse gênero literário.


Será essa alegação bem fundamentada. Será que as crianças não gostam mesmo da poesia?


Acho pouco provável, embora eu entenda que há todos os tipos de crianças.


Mas uma coisa é certa:


O mundo infantil é como o mundo poético: repleto de imagens, fantasia e sensibilidade!


E privar o aluno do contato com a língua poética, seja ela lúdica ou sonora é problemático - uma vez que diminui as possibilidades semânticas e linguísticas das crianças.


A Poesia Infantil é sim um tipo de texto imprescindível para formação dos alunos.


Mas cuidado: de forma alguma a Poesia, bem como todos os textos de gêneros literários devem ser tratados como recursos pedagógicos, causando a escolarização da literatura infantil e resultado, como tem acontecido, em crianças que detestam ler ARRG!


Por isso evite perguntas sem sentido, fragmentações inadequadas e o tratamento impróprio do texto literário.


O trabalho com a poesia deve ser realizado a partir da ampliação da capacidade da criança sentir os elementos que na poesia são capazes de transmitir emoção


Na Poesia, o aprendizado vem da própria estrutura do poema, que envolve e estimula o leitor através de ritmos e efeitos acústicos - A BRINCADEIRA COM AS PALAVRAS - que o faz ter contato com as suas próprias representações ou vivências.


Toda a estrutura de um poema seja ela sonora, lúdica ou mágica faz emergir na criança formas de criatividade, fantasia e sensibilidade.


Por isso, é tão importante ajudar a desenvolver nos leitores infantis a competência para apreciar a linguagem poética - uma vez que ao estimular isto, esta ajudando a criança a desenvolver modos de a lidar um mundo particular interno próprio de ver, sentir e interpretar o mundo.


Por isto, separamos nesse Post algumas poesias infantis que podem ajudar nessa missão =P


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Poemas Para Ler com Crianças (Poesia Infantil/Jejequi Lê)


Poesia Infantil para ler com as Crianças


Separemos alguns poemas infantis para ler com as Crianças e trabalhar em sala de aula.


São ao todo 23 poesias de 23 escritores diferentes!


Vamos juntos conferir?


1. Cemitério (José Paulo Paes)


Aqui jaz um leão

chamado Augusto.

Deu um urro tão forte,

mas um urro tão forte,

que morreu de susto.


Aqui jaz uma pulga

chamada Cida.

Desgostosa da vida,

tomou inseticida:

Era uma pulga suiCida.


Aqui jaz um morcego

que morreu de amor

por outro morcego.

Desse amor arrenego:

amor cego, o de morcego!


Neste túmulo vazio

jaz um bicho sem nome.

Bicho mais impróprio!

tinha tanta fome,

que comeu-se a si próprio


Poema Cemitério (Poesia Infantil: José Paulo Paes/Jejéqui Lê)

2. Se o Saci Pererê Tivesse Piriri (Jéssica Iancoski)


Se o Saci

Pererê tivesse 

Piriri...

Ele chamaria

A fadinha 

Plim Plim 

Para dizê:


Ôo Plim Plim

Tira isso de mim


Ôo Plim Plim

Qué que vô fazê

Ôo Plim Plim 

Sô Saci Pererê

E você.. 

Não vai ri di mim...


Sô Saci Pererê

E tô com piriri.

Ôo Plim Plim

Tira isso de mim!



3. Bem no Fundo (Paulo Leminski)


No fundo, no fundo,

bem lá no fundo,

a gente gostaria

de ver nossos problemas

resolvidos por decreto


a partir desta data,

aquela mágoa sem remédio

é considerada nula

e sobre ela — silêncio perpétuo

extinto por lei todo o remorso,

maldito seja que olhas pra trás,

lá pra trás não há nada,

e nada mais

mas problemas não se resolvem,

problemas têm família grande,

e aos domingos saem todos a passear

o problema, sua senhora

e outros pequenos probleminhas.




4. Bagunça (Leo Cunha)


Bagunça rima com criança,

bagunça é prima da lambança,

bagunça dança, bailarina,

começa e nem sempre termina,

bagunça mansa,

essa menina,

descansa de pança pra cima.


Poema Bagunça (Poesia Infantil: Leo Cunha/Jejéqui Lê)

5. Ou Isto ou Aquilo (Cecília Meireles)


Ou se tem chuva e não se tem sol ou se tem sol e não se tem chuva!


Ou se calça a luva e não se põe o anel, ou se põe o anel e não se calça a luva!


Quem sobe nos ares não fica no chão, quem fica no chão não sobe nos ares.


É uma grande pena que não se possa estar ao mesmo tempo em dois lugares!


Ou guardo o dinheiro e não compro o doce, ou compro o doce e gasto o dinheiro.


Ou isto ou aquilo: ou isto ou aquilo … e vivo escolhendo o dia inteiro!


Não sei se brinco, não sei se estudo, se saio correndo ou fico tranqüilo.


Mas não consegui entender ainda qual é melhor: se é isto ou aquilo.


Ou Isto ou Aquilo (Poesia Infantil: Cecília Meireles/Jejéqui Lê)

6. Cultura (Arnaldo Antunes)


O girino é o peixinho do sapo.

O silêncio é o começo do papo.

O bigode é a antena do gato.

O cavalo é o pasto do carrapato.

O cabrito é o cordeiro da cabra.

O pescoço é a barriga da cobra.

O leitão é um porquinho mais novo.

A galinha é um pouquinho do ovo.

O desejo é o começo do corpo.

Engordar é tarefa do porco.

A cegonha é a girafa do ganso.

O cachorro é um lobo mais manso.

O escuro é a metade da zebra.

As raízes são as veias da seiva.

O camelo é um cavalo sem sede.

Tartaruga por dentro é parede.

O potrinho é o bezerro da égua.

A batalha é o começo da trégua.

Papagaio é um dragão miniatura.

Bactéria num meio é cultura


7. Pessoas São Diferentes (Ruth Rocha)


São duas crianças lindas

Mas são muito diferentes!

Uma é toda desdentada,

A outra é cheia de dentes...


Uma anda descabelada,

A outra é cheia de pentes!

Uma delas usa óculos,

E a outra só usa lentes.

Uma gosta de gelados,

A outra gosta de quentes.

Uma tem cabelos longos,

A outra corta eles rentes.


Não queira que sejam iguais,

Aliás, nem mesmo tentes!

São duas crianças lindas,

Mas são muito diferentes!



8. Guarda-Chuvas (Rosana Rios)


Tenho quatro guarda-chuvas todos os quatro com defeito; Um emperra quando abre, outro não fecha direito.


Um deles vira ao contrário seu eu abro sem ter cuidado. Outro, então, solta as varetas e fica todo amassado.


O quarto é bem pequenino, pra carregar por aí; Porém, toda vez que chove, eu descubro que esqueci…


Por isso, não falha nunca: se começa a trovejar, nenhum dos quatro me vale – eu sei que vou me molhar.


Quem me dera um guarda-chuva pequeno como uma luva Que abrisse sem emperrar ao ver a chuva chegar!


Tenho quatro guarda-chuvas que não me servem de nada; Quando chove de repente, acabo toda encharcada.


E que fria cai a água sobre a pele ressecada! Ai…


8. Mãe (Sergio Capparelli)


De patins, de bicicleta

de carro, moto, avião

nas asas da borboleta

e nos olhos do gavião

de barco, de velocípedes

a cavalo num trovão

nas cores do arco-íris

no rugido de um leão

na graça de um golfinho

e no germinar do grão

teu nome eu trago, mãe,

na palma da minha mão.


Poema Mãe (Poesia Infantil: Sérgio Capparello/Jejéqui Lê)

9. Pontinho de Vista (Pedro Bandeira)


Eu sou pequeno, me dizem, e eu fico muito zangado. Tenho de olhar todo mundo com o queixo levantado.


Mas, se formiga falasse e me visse lá do chão, ia dizer, com certeza: - Minha nossa, que grandão!



10. Ideal (Fagundes Varela)


Não és tu quem eu amo, não és!

Nem Teresa também, nem Ciprina;

Nem Mercedes a loira, nem mesmo

A travessa e gentil Valentina.


Quem eu amo te digo, está longe;

Lá nas terras do império chinês,

Num palácio de louça vermelha

Sobre um trono de azul japonês.


Tem a cútis mais fina e brilhante

Que as bandejas de cobre luzido;

Uns olhinhos de amêndoa, voltados,

Um nariz pequenino e torcido.


Tem uns pés... oh! que pés, Santo Deus!

Mais mimosos que uns pés de criança,

Uma trança de seda e tão longa

Que a barriga das pernas alcança.


Não és tu quem eu amo, nem Laura,

Nem Mercedes, nem Lúcia, já vês;

A mulher que minh'alma idolatra

É princesa do império chinês.



11. A Centopeia (Marina Colasanti)


Quem foi que primeiro teve a ideia de contar um por um os pés da centopeia?

Se uma pata você arranca será que a bichinha manca?


E responda antes que eu esqueça se existe o bicho de cem pés será que existe algum de cem cabeças?



12. Porquinho-da-Índia (Manuel Bandeira)


Quando eu tinha seis anos Ganhei um porquinho-da-índia. Que dor de coração me dava Porque o bichinho só queria estar debaixo do fogão! Levava ele pra sala Pra os lugares mais bonitos mais limpinhos Ele não gostava: Queria era estar debaixo do fogão. Não fazia caso nenhum das minhas ternurinhas...


— O meu porquinho-da-índia foi a minha primeira namorada.

Poema Porquinho-da-Índia (Poesia Infantil: Manuel Bandeira/Jejéqui)

13. Canção da Garoa (Mario Quintana)


Em cima do meu telhado,

Pirulin lulin lulin,

Um anjo, todo molhado,

Soluça no seu flautim.


O relógio vai bater;

As molas rangem sem fim.

O retrato na parede

Fica olhando para mim.


E chove sem saber por quê…

E tudo foi sempre assim!

Parece que vou sofrer:

Pirulin lulin lulin…



14. Menina Passarinho (Ferreira Gullar)


Menina passarinho, que tão de mansinho me pousas na mão Donde é que vens? De alguma floresta? De alguma canção?


Ah, tu és a festa de que precisava este coração!


Sei que já me deixas

e é quase certo que não voltas, não.


Mas fica a alegria de que houve um dia em que um passarinho me pousou na mão.


Poema Menina Passarinho (Poesia Infantil: Ferreira Gullar/Jejéqui Lê)


15. Espantalho (Almir Correia)


Homem de palha

coração de capim

vai embora

aos pouquinhos

no bico dos passarinhos

e fim.


16. Esperando Sarinha (Adélia Prado)


Sarah é uma linda menina ainda mal-acordada.

Suas pétalas mais sedosas estão ainda fechadas,

dormindo de bom dormir.

Quando Sarinha acordar,

vai pedir leite na xícara de porcelana pintada,

vai querer mel aos golinhos em colherinha de prata,

duas horas vai gastar fazendo trança e castelos.

Estou fazendo um vestido,

uma tarde linda e um chapéu,

pra passear com Sarinha,

quando Sarinha acordar.



17. Amarelinha (Maria da Graça Rios)


Maré mar

é maré

mare linha

sete casas a pincel.

Pulo paro

e lá vou

num pulinho

segurar mais um ponto

no céu.


18. A Boneca (Olavo Bilac)


Deixando a bola e a peteca, Com que inda há pouco brincavam, Por causa de uma boneca, Duas meninas brigavam.


Dizia a primeira: "É minha!" — "É minha!" a outra gritava; E nenhuma se continha, Nem a boneca largava.


Quem mais sofria (coitada!) Era a boneca. Já tinha Toda a roupa estraçalhada, E amarrotada a carinha.


Tanto puxaram por ela, Que a pobre rasgou-se ao meio, Perdendo a estopa amarela Que lhe formava o recheio.


E, ao fim de tanta fadiga, Voltando à bola e à peteca, Ambas, por causa da briga, Ficaram sem a boneca...


19. A Casa (Vinicius de Moraes)


Era uma casa

Muito engraçada

Não tinha teto

Não tinha nada

Ninguém podia

Entrar nela não

Porque na casa

Não tinha chão

Ninguém podia

Dormir na rede

Porque a casa

Não tinha parede

Ninguém podia

Fazer pipi

Porque penico

Não tinha ali

Mas era feita

Com muito esmero

Na Rua dos Bobos

Número Zero.



20. Receita de espantar a tristeza (Roseana Murray)


Faça uma careta e mande a tristeza pra longe pro outro lado do mar ou da lua


vá para o meio da rua e plante bananeira faça alguma besteira


depois estique os braços apanhe a primeira estrela e procure o melhor amigo para um longo e apertado abraço.


21. Rima, Rima, Rima, Rima (Cíntia Amorim)


A panela de pressão

Chia, chia, chia, chia

O pintinho pequenino

Pia, pia, pia, pia

O gatinho bagunceiro

Mia, mia, mia, mia

A menina lendo o livro

Ria, ria, ria, ria

(...)

A viola apaixonada

Chora, chora, chora, chora

E a moça envergonhada

Cora, cora, cora, cora


22. Camarão (José de Castro)


Camarão

grande

se chama camarão…

Pequeno, assim,

pode ser chamado

de camarim?


23. Estrelas (Ana Maria Machado)


Cinco pontas

cinco destinos

são areias tontas

de desatinos

Cinco sentidos

cinco caminhos

grãos tão moídos

por mares e moinhos

Estrela-guia

em alto mar

outra Maria

veio me chamar


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