• Jéssica Iancoski

Machado de Assis - A Linha e a Agulha | Adaptação História infantil em áudio

Machado de Assis foi um dos mais brilhantes escritores que o Brazil já teve.


Provavelmente, você já ouviu falar de alguma história dele como Dom Casmurro, Memórias Póstumas de Brás Cubas, a Cartomante ...


Entre muitas histórias que Machado de Assis escreveu, uma delas é um Apólogo entre uma Agulha e um Novelo.


Pensando em homenagear este escritor e apresentá-lo para as crianças, adaptamos esse história para uma história infantil em áudio!


Esta fábula infantil faz parte da coletânea de contos, da segunda temporada do Podcast Histórias para Dormir.


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História Infantil em áudio: A Agulha e a Linha - Machado de Assis e Jéssica Iancoski



Dona Assis era a costureira mais famosa do Rio de Janeiro. Ela era conhecida por fazer os vestidos mais bonitos e os ternos mais elegantes da cidade. Se alguém quisesse ir bem vestido à uma festa, logo já pensava na Dona Assis:


- A Dona Assis tem mãos mágicas! - todo mundo, em todos os bailes cariocas, concordava com isto.


E não é que a Dona Assis tinha as mãos mágicas mesmo! Se ela pegava um vestido para costurar, depois de pronto, ele logo já saia rodando as danças mais bonitas pelo salão. Se o vestido fosse rodado, então, não tinha para ninguém! Isto sem falar dos ternos que a Dona Assis fazia, eles eram capazes de deixar retas até mesmo as colunas mais tortas! E só eles conseguiam de conduzir as danças impecáveis pelo salão, sem pisar no pé de ninguém, é claro... Já as roupas de crianças, nossa! Nem sem fala! Elas conseguiam deixar todas crianças mais legais e mais brincalhonas - o que é muito importante quando se é criança, porque brincar é a parte mais legal de toda festa. Não é mesmo?!



Contudo, como as mãos mágicas de uma costureira não importa tanto quanto o nariz empinado de pessoas que se acham importantes, Dona Assis sempre era colocada sentada ao pé de seus clientes, em uma banquetinha para costurar, para que eles não tivessem que correr atrás dela - embora, todos saibam que especial mesmo era a Dona Assis! E sentada ali, para fazer os ternos e os vestidos e as roupas de criança, não só as mãos da Dona Assis que eram mágicas, mas os ouvidos também eram!


Um certo dia, Dona Assis estava trabalhando para confeccionar um vestido vermelho para uma moça, já que ela teria um baile importante e chique para ir. Sentada ali em seu banquinho, Dona Assis pegou a melhor das sedas e começou a transformá-la em vestido. Enquanto Dona Assis costurava o pano, passando a agulha com a linha por ele, graças aos ouvidos mágicos, ela conseguiu ouvir a agulha e a linha conversando:



- Porque você está assim, toda cheia de si, enrolada nesse novelo, fingindo que é importante? - perguntou a agulha.


- Poderia me deixar em paz? - respondeu a linha.


- Te deixar em paz só porque disse que você está com esse jeito insuportável? Mas você está mesmo! Toda aí cheia de si. Falarei o que me der na cabeça!


- Por favor! Que cabeça? Você não é um alfinete! É uma agulha. Agulhas não tem cabeça. E, também, por que o meu jeito é importante para você? Eu sou assim e pronto! Você deveria se importar com a sua vida!


- Mas você é muito orgulhosa mesmo!


- Se você diz, devo ser.


- Mas por que você é assim?


- Simples, porque sou eu que costuro todos os vestidos. Estou errada?


- AHAHAH! Isto só pode ser uma piada! Você acha que é você que costura? Sou eu quem costura!


- Coitada. Você apenas fura o pano e isto não é nada demais! Já eu prendo um pano no outro, junto os pedaços, trago charme aos babados...


- Pode até ser, mas isto não vale nada! Sou eu que furo o pano e vou adiante. Você só vem atrás, obedecendo o que eu faço e mando!


- Está certo! Os soldados abrem o caminho para o imperador!


- Você é imperador agora?


- O que eu quis dizer é que você tem um papel menor, você só abre o caminho, fazendo o trabalho pesado, ínfimo, porque sou eu que prendo, ligo, junto…



Dona Assis estava achando aquela conversa interessante, então, continuou costurando, sem interferir. Tanto a agulha quanto a linha continuaram adiante, andando orgulhosas, pelas mãos mágicas da costureira, atravessando a seda e dando o formato de vestido para ela. E a agulha continuava dizendo:


- Linha, você ainda continua com a teimosia de achar o que estava dizendo antes? Ou você já reparou que a Dona Assis só se importa comigo? Eu que estou aqui entre os dedos mágicos dela, unida a eles e furando de cima a baixo.


A linha não se dava o trabalho de responder, só ia andando, silenciosa e ativa como quem sabe o que faz, sem se preocupar com palavras tão loucas. Todos os buracos que a agulha fazia eram prontamente preenchidos pela linha. E a agulha percebendo que não teria respostas, também calou-se e continuou andando.


Tudo ficou silencioso, os ouvidos da Dona Assis não escutavam mais a conversa, enquanto os demais não ouviam nenhum pic-pic da agulha no pano. De repente, o vestido já estava pronto e era mágico como se esperava. Só estava esperando a moça vesti-lo para sair para o baile.


A noite do baile chegou e a moça vestiu-se, com a ajuda da Dona Assis que precisava acertar mais alguns pontos com a ajuda da agulha. Enquanto dava os pontos necessários, para terminar de ajustar o vestido, puxava a agulha para um lado e para o outro e a alisava, acolchoava e abotoava. Então, a linha para zombar da agulha perguntou:


- Então, você pode me dizer que é que vai para o baile hoje, fazendo parte da elegância do vestido? Quem é que vai rodopiar magicamente pelo salão junto das pessoas importantes? E você pode me responder quem é que vai voltar para a caixinha de costura? Vamos, você pode me responder.


Parece que a agulha não disse nada, mas um alfinete de cabeça tão grande quanto a experiência, murmurou:


- Você foi tola, devia aprender com isto! Você se cansou de abrir caminho para ela e é ela que

vai se divertir no baile, enquanto você fica ai na caixinha de costura. Devia fazer como eu que não abro caminho para ninguém pois onde me espetam, eu fico.


Dona Assis ouvindo essa conversa, logo deixou escapar à moça que fez que não ouviu, tal como linha:


- As minhas mão mágicas tem servido de agulha para muita linha ordinária!


Moral da História: Não abra caminho para quem irá te deixar para trás.

Perguntas para Guiar Descoberta de Interpretações

1. O que você achou dessa história? Teve algo que não entendeu?

2. Se você tivesse que escolher entre ser a Dona Assis, a Agulha, a Linha ou o Alfinete, qual você escolheria e por quê?

3. O que você achou da Agulha? E o que achou da Linha? Elas fizeram você pensar algo? O quê?

4. A moral da história diz "Não abra caminho para quem irá te deixar para trás", o que você acha que isto quer dizer?

5. Se você pudesse mudar qualquer coisa na história... O que seria e por quê?


Lembre-se: não existe resposta certa ou errada, quando o assunto é Literatura. No máximo, opiniões e interpretações diferentes!

Procure entender o que a história desperta e não o que ela significa!


Gostou desta história infantil em áudio? Então, nos conte o que achou <3


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© 2020 por Jéssica Iancoski. 

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