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História pra Dormir - A Pessoa Natalia | História Infantil Curta | Jéssica Iancoski|Podcast Infantil

A Literatura Infantil não é composta apenas por histórias exclusivas para as crianças. Em seu vasto leque de contos, fábulas e livros infantis, há muitas histórias capazes de agradar muitos adultos sensíveis.


As histórias infantis são um ótimo jeito de estimular os sentimentos, as curiosidades e a necessidade de conhecer o mundo, seja ele interno ou externo, porque são repletas do lúdico, do abstrato e do infantil.


As histórias infantis, quando de qualidade, conduzem tanto crianças quanto adultos aos sentimentos mais profundos que podem existir dentro de alguém. A Literatura infantil tem um poder muito grande no desenvolvimento humano!


Histórias Infantis para Ler e Ouvir Grátis


A hora de dormir fica mais gostosa quando há uma história infantil para ler, para ouvir ou até mesmo só para olhar as ilustrações!


As Histórias infantis estão presentes há muitos anos embalando o sono das crianças, porque elas sabem o poder que um bom conto infantil tem na hora de dormir! Tanto os contos curtos, quanto as fábulas ou livros infantis são capazes de relaxar as crianças (e os adultos!), encaminhando eles, com os seus acalantos, para o mundo dos sonhos.


Projeto de Contos Infantis Curtos - Histórias para Dormir | Podcast de Histórias


Por sabemos do poder das histórias infantis, criamos o Projeto de Contos Infantis Curtos Histórias para Dormir. Nele, disponibilizamos histórias curtas e contos infantis para ler grátis. Mas não só isso! As nossas histórias infantis foram ilustradas e transformadas em um podcast de histórias infantis por Jéssica Iancoski.


Mas fica o alerta: todas as histórias infantis aqui disponíveis não são exclusivamente para crianças, algumas pertencem mais aos adultos, por conterem experiências de mundo mais complexas.


História para Dormir - A Pessoa Natalia | Conto Infantil curto em áudio


A História Infantil A Pessoa Natalia de Jéssica Iancoski conta sobre Natalia, uma menina que não sabia muito bem quem era e nem o que era. Então, ela resolve inventar que é outra pessoa, alguém que ela pode controlar quem será e o que irá ser. Será que fazer isto resolveu o problema de Natalia?


A História Infantil contém ilustrações, áudios e foi transformada também em um podcast de histórias infantis.

A Pessoa Natalia por Jéssica Iancoski | Conto Infantil para ler e ouvir Grátis

Natalia era uma menina que não sabia muito bem quem era Natália. As vezes, ela achava que ela era uma menina que gostava de jogar bola, mas às vezes também achava que ela podia ser um menino, justamente porque gostava de jogar bola. Outras vezes, ainda, ela tinha certeza que não gostava de jogar bola, que futebol era um esporte violento. Mas Natalia sabia que não dava para definir quem ela era só levando em consideração um esporte.


Então, sempre que Natalia tinha um tempo livre ela tentava descobrir quem era ela - o que definitivamente não era algo fácil que ela daria conta de fazer no tempo livre. Mas como essa questão assustava a Natalia, ela só deixava pra fazer isso quando realmente não tinha mais nada para fazer. Só para aqueles momentos que não dava pra escapar - o que normalmente era a noite, um pouco antes da hora de dormir, quando a nossa guarda está baixa e os pensamentos estão quase livres.



Um dia que na verdade era uma noite, Natália se descuidou e foi deitar cedo. Aí não teve jeito ela teve que pensar quem era ela, porque o pensamento veio sem pedir permissão.


- Quem eu sou? O que eu sou? Como eu sou? Ah, essa última é fácil de responder - pensou Natalia - eu sou como me pareço! Hmm, mas será que eu me pareço como eu me vejo e como eu sou? Ou eu pareço outra coisa? Pensando bem, talvez essa não seja tão fácil assim de responder.


Realmente era muito difícil para Natalia saber quem ela era, mas o que Natalia não sabia é que é difícil para todo mundo saber quem é. Não era isto que faria Natália especial. Só que ao contrário de algumas pessoas que não sabem quem são, ou que não se importam com isso, Natalia sofria por não saber.


- Se eu não sei quem eu sou, isto quer dizer que eu não ocupo nenhum lugar. O João, por exemplo, ele é o menino da bola, sem ele a gente não joga. E tem a Matilda que é pra quem todo mundo manda uma mensagem quando tem um problema. E se eu não ocupo lugar nenhum, é quase como se eu não existisse, mas eu existo e as pessoas tem que ver isso.


Natalia acabou dormindo pensando nessas coisas e quando acordou no dia seguinte estava diferente, um pouco mais corajosa ou talvez medrosa, não sei muito bem a diferença no caso dela.




- Eu tive uma ideia enquanto dormia. Eu resolvi que se eu não sei quem é Natália, eu vou ser Alex, alguém que sabe quem é e que não se importa se é menino ou menina, se gosta ou não gosta de futebol, se quer ser loiro ou ter o cabelo colorido. Eu vou ser neutro. Então, todos vocês! A partir de hoje eu sou Alex, beleza? Não me tratem no masculino e nem no feminino. Até eu descobrir quem é a Natalia, vai ser assim.


E foi assim. E ai se alguém lembrasse Alex que ele era Natália. Isto não podia acontecer nem sem querer. Esse foi o jeito que Natalia, ops, quer dizer Alex, encontrou para resolver quem era, pois assim era fácil quando não sabia algo. Se não tinha certeza sobre certo assunto, Alex pensava e já vinha com a resposta.


- Ei, Alex, você gosta de viajar?



Perguntas assim, por mais que simples, sempre eram complicadas para Natália, porque ela ficava pensando demais sobre o assunto para tentar descobrir quais eram as suas respostas.

- Gostar eu até gosto, mas não gosto se demora e nem se a viagem é barulhenta. Eu gosto de viajar quando gosto da viagem, mas se eu não gosto da viagem, aí eu não gosto. Então, não sei dizer se gosto ou não gosto de viajar, porque depende várias coisas ...


Já Alex tirava perguntas assim de letra, pois se ele não tinha certeza de algo, ele escolhia uma resposta na hora e ficava definido que seria aquela resposta para sempre.


Sim! Eu amo viajar quem não gosta? - Respondeu, Alex.


Pronto, resolvido, nem precisava pensar muito.


O tempo foi passando, e Natália não foi conseguindo descobrir quem era Natália e para falar verdade, ela até se esqueceu, porque agora ela era Alex e ser Alex era muito mais fácil, porque ela podia mandar em Alex e inventar coisas a seu próprio respeito, coisa que não podia ou não conseguia com a Natalia. Aí foi assim e a questão ficou tão resolvida que ela nem sofria mais por não saber quem era, pelo menos não que ela tivesse ciência.

Alex era uma pessoa legal, tinha amigos e sabia quais lugares ocupar ou não. Ele estava seguro de si e sabia muito bem quem era:


- Eu sou Alex, gosto de viajar, de comer risoto, não gosto de dormir cedo, gosto de assistir seriado, não gosto muito de ler, sou bom em conhecer pessoas boas, não sou bom em falar dos meus sentimentos.


Alex realmente sabia as coisas sobre ao seu respeito e foi assim por muito tempo. Contudo, um dia Alex foi deitar cedo e acabou lembrando que a Natalia existia, porque a encontrou bem ali:


- Vai embora, Natalia. Não tá vendo que agora eu sou Alex. Não tem espaço aqui para você não.


- Não tem essa de Alex, fui eu que invetei você, porque se eu não conseguia saber quem eu era, eu queria ser alguém que eu podia saber. Mas nada disso importa, pelo visto não funcionou.


- Como assim, lógico que funcionou. Eu sei bem quem eu sou.

- É, mas a gente continua sem saber quem é Natália.

- E ela precisa mesmo existir?


- Dãaa, precisa sim. Alex é só um personagem, que eu criei para enviar para o mundo para experimentar as coisas, esperando que ele voltasse e me contasse o que fez ou não fez sentido para mim. Se eu não sabia de algo, eu queria que Alex descobrisse.


- E eu descobri.


- Não descobriu não. Você roubou a minha vida. Me devolve. Você só descobriu quem é Alex, mas esqueceu da Natalia.


- Eu não me importo muito com a Natalia, ela é bem diferente de mim, isso eu sei. Agora eu quero continuar sendo eu, você pode ir embora, por favor? Tá atrapalhando o meu sono.


- Não posso ir embora não, a vida foi primeiro minha, você tem que lembrar e me devolver, se não eu vou ficar voltando toda noite até a gente resolver isso.


- Aé? Só tenta! Quero ver, a gente resolve isso amanhã. Se você voltar, você vai ver só. Eu faço você dormir de novo, nem que eu tenha que me forçar a não pensar e a dormir. Eu escolhi ser Alex e você não vai tirar isso de mim não. Então vai embora.




A vida de todo mundo de algum modo é complicada, mas vida de Alex foi meio complicada porque Natalia continuou voltando e voltando, sempre que havia algum descuido. Mas Alex aprendeu a corrigir isso e ele fazia ela sumir, mesmo que a força e mesmo que se para isso ele tivesse que sumir com Alex também. Indo dormir, Natalia não falava, mas Alex também não.


Depois de um tempo, Alex se acostumou a levar uma vida anestesiado e eu realmente não tenho nada a ver com isso, talvez tenha sido melhor mesmo. Vai saber se Natália dava conta de ser Natália, nunca saberemos. E nem acho que isso é o mais importante nessa história. Só acho que teria sido legal se o plano original tivesse dado certo.


Não tem problema inventar alguém para se ser por um tempo, de verdade, as vezes precisamos que um outro de nós experiencie certas coisas para nós e nos conte. Porque isso pode sim ajudar por um tempo, ao se tentar descobrir o que é preciso. Mas é importante aprender a dar tchau no momento certo, embora possa ser muito complicado.


Da vida de Alex cuida Alex (e Natália). Gosto dos dois, de maneiras diferentes, mas gosto. Já faz tanto tempo que agora eu realmente acho que sempre foram dois.

Perguntas para guiar a descoberta de interpretações


1. O que você acha de Natalia ter inventado Alex?

2. No lugar dela, o que você teria feito?

3. Você já teve vontade de ser outra pessoa? Quem você seria?

4. Você também tem dificuldades em saber quem é você?

5. Como podemos fazer para descobrir quem somos?


Lembre-se: não existe resposta certa ou errada, quando o assunto é Literatura. No máximo, opiniões e interpretações diferentes!


Procure entender o que a história desperta e não o que ela significa!

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