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História para Dormir - Oliveira e a Morte | Podcast Infantil | Jéssica Iancoski | Conto Curto Gratis

A Literatura Infantil não é só para Crianças! Você sabia disso? Muitas histórias infantis tratam de assuntos universais e as boas histórias despertam sentimentos que não dependem da idade!


As histórias infantis podem ajudar as crianças e os adultos a se desenvolverem e a compreender melhor o mundo em que vivem, pois muitas vezes tratam de assuntos sensíveis, com delicadeza e magia.


Quando boas histórias infantis são lidas, seja por adultos ou por crianças, algo muito bom acontece: um sentimento é atingido, uma compreensão é alcançada, uma sensibilidade é despertada, uma curiosidade é atiçada e por aí vai! O poder da Literatura Infantil é imenso!


Contos Curtos para ler e escutar grátis


Os contos infantis caem bem em muitas horas, mas normalmente é na hora de dormir que eles são mais lembrados.


A hora de dormir é um momento muito especial, mas não costuma durar muito! A não ser, claro, quando há uma agitação presente. Por isto, a preferência pela leitura de contos infantis curtos está presente neste momento.


Ler e escutar contos curtos na hora de dormir pode ser um hábito muito prazeroso, pois as histórias não só acalmam, como são capazes de embalar o sono.


Por isto, começamos o Projeto de Contos para ler e ouvir Histórias para Dormir, pois acreditamos que boas histórias tornam o mundo um lugar mais gostoso! Então, estamos disponibilizando, de forma grátis, contos infantis curtos para ouvir com ilustração, que podem ser facilmente acessados online.


Mas não é só isso! Nossas Histórias Infantis também podem ser escutas, pois transformamos o os nossos contos em um podcast de história muito bom!


História para Dormir - Oliveira e a Morte | Conto Infantil curto para ler e ouvir


A Conto Infantil Oliveira e a Morte foi escrito, ilustrado e contado por Jéssica Iancoski | Euiancoski.


A História conta sobre Oliveira, um menino triste e solitário que um dia vira amigo da Morte. A Amizade deles não é por acaso e guarda grandes surpresas e sensibilidade. Por que será que Oliveira vira amigo dela?


Oliveira e a Morte por Jéssica Iancoski | Conto Infantil curto para ler e ouvir grátis



Oliveira era um menino um tanto sozinho, um tanto triste e um tanto curioso. Ele ficou assim porque perdeu o pai muito cedo. Então era normal para Oliveira estar sempre melancólico.


Um dia ele estava em seu quarto brincando sozinho, isto não era um problema para ele, mas naquele dia em específico era. Oliveira queria brincar de esconde-esconde e precisava que alguém o procurasse. Esconde- esconde é uma brincadeira que não tem graça jogar sozinho. A mãe de Oliveira estava ocupada, a avó dele já estava fraca e quase não saia mais da cama, só saia para comer às vezes, e ele não tinha mais pai e nunca teve irmãos. Bom, pai ele até tinha, mas ele não voltaria nunca mais.


Então, Oliveira fechou os olhos e pediu por alguém que pudesse brincar com ele:


- Oi? Alguém para brincar comigo? Estou sozinho aqui também?

- Oi, eu vim brincar com você. Uma voz respondeu.

- Oba! Mas quem é você? - Disse Oliveira.

- Eu sou a Morte e serei a sua amiga.

- Ótimo! Porque eu estava precisando de uma amiga. Vamos brincar?





Não só naquele dia foi assim, mas em muitos outros também. Oliveira e a Morte brincaram muito, algumas vezes era Oliveira que se escondia e em outras era a Morte. Mas no geral, Oliveira gostava mais de procurar e a morte mais de se esconder. A Morte se escondia em lugares esquisitos, mas Oliveira sempre a encontrava, a curiosidade dele sempre foi mais intensa que o medo.


Uma vez a morte se escondeu em um vaso que estava ameaçando a cair de uma prateleira, mas Oliveira foi lá e a encontrou primeiro. Aí ele arrumou o vaso. Outra vez, ela se escondeu em uma virose que Oliveira pegou, mas ele a encontrou rápido também, então os estragos não foram muito grandes. Só teve uma vez que a morte se escondeu e Oliveira não conseguiu encontrá-la a tempo. Foi quando ela se escondeu no quarto da avó dele. Era um domingo perto da hora do almoço e Oliveira estava contando:


-Cinquenta e quatro, cinquenta e três, cinquenta e dois - Aí passou mais algum tempo - três, dois, um. Pronta ou não, lá vou eu!




Primeiro, Oliveira procurou ao redor. Ele conhecia a amiga e sabia que as vezes ela não ia longe. Mas tudo pareceu certo por lá. Nenhuma cerâmica ou porcelana nas beiradas, nenhum eletrônico ameaçando a cair do alto, nem fios desencapados ou cadarços desamarrados.


- Tudo parece certo por ali - pensou Oliveira.


Oliveira então seguiu para a sala, mas não encontrou nada por lá também, nenhum objeto pontiagudo, nem chãos molhados e escorregadios, nem vidros querendo quebrar. Só o fio do abajur que parecia meio estranho, mas Oliveira tratou de arrumá-lo rapidinho. Na sala ela também não estava. Oliveira foi para a cozinha, mas nada lá também. Sem veneno de rato nos armários, sem contaminação na comida, sem nozes ou coisas que alguém na casa de oliveira poderia ser alérgico. A morte não estava em lugar nenhum.


Desta vez, Oliveira não conseguia imaginar aonde ela tinha se escondido. Ele começou a ficar triste, porque começou a se sentir solitário de novo e isso para ele dava muita ansiedade. Quado Oliveira estava com a Morte, ele sabia que ela não podia aprontar, mas quando eles não estavam juntos…


A hora do almoço chegou e todos foram almoçar, menos a avó de Oliveira que não saiu do quarto. Então, Oliveira foi lá chamá-la, mas ela não estava mais lá.




- Você estava aí o tempo todo? perguntou Oliveira para a amiga com um tom de reprovação.

- Sim, eu estava. Dessa vez você não me encontrou a tempo - A morte respondeu orgulhosa de si.

- Não achei que você fosse se esconder em alguém que eu amava de novo. Achei que eramos amigos.

- Eu não fiz de propósito. Eu juro que estava indo me esconder no fio desencapado do abajur na sala.

- Então por que você não foi? Não podia deixar a minha avó fora disso. Você é muito traiçoeira mesmo. Não dá nem pra brincar com você que você já apronta uma dessa.


Oliveira estava muito irritado, mais por não ter conseguido encontrar a Morte a tempo, do que por ela ter se escondido na avó. Oliveira entendia que este era o comportamento natural da amiga e não achava que podia ser diferente, a morte sempre vai levar tudo que a gente ama, ele sempre pensava isso. É por isso que Oliveira queria ser amigo da Morte, para entender como ela funcionava e ficar bom em ser um contraponto. Mas dessa vez não tinha funcionado. A morte tinha ganhado no esconde-esconde.


-Eu te fiz uma pergunta. Por que você não se escondeu no fio na sala? - Insistiu Oliveira com a voz mais brava que ele conseguia.

- Porque não sou eu que procuro. Eu só me escondo.

- Não entendi. Você pode me explicar.


- Sim, eu posso. Para se esconder, você precisa procurar um lugar. Eu nunca procuro, eu não sou assim. Só quando eu estou com raiva, mas não acho isso justo, então só aconteceram poucas vezes. Quando a gente brinca, eu só vou para os lugares que me oferecem um lugar. Os vasos ficam na beirada.. nunca sou eu que coloco eles lá. Ou os fios desencapados, eu não mexo nas coisas. A única coisa que eu faço é atender pedidos. E ao contrário do que você possa pensar, porque você nunca conseguiu me entender de fato, é que não sou eu que chamo. As pessoas que me chamam. Você, por exemplo, perguntou se eu queria brincar e eu disse que sim. Nunca fiz nada mais do que isso.


- Isso não faz sentido nenhum. Oliveira falou em choque.


- Lógico que faz, eu estava indo me esconder no fio. Aí a sua avó me ouviu passando e me convidou para entrar no quarto dela. Eu entrei. E depois ela me explicou que já estava cansada, que não tinha mais nada que ela queria conhecer por aqui, nem uma comida, nem um sentimento de amor, nem um lugar novo. Ela me disse que não tinha mais prazer na vida e que estava bem com isso, só estava cansada, porque com o passar dos anos ela se cansou. Tem gente que não se cansa, é verdade, mas que acaba se descuidando devido a adrenalina da vida. Como quando andam com o carro em velocidade super rápida e sem cinto de segurança. Essas pessoas não me chamam diretamente como a sua vó me chamou, mas elas criam possibilidades para eu aparecer. É praticamente a mesma coisa. Mas a sua vó estava cansada e para ela já estava bom. Ela quis ir e eu só atendi o pedido dela. Não sou uma amiga má, sou um tanto generosa, pois vocês vivem criando situações para que eu apareça, durante a vida toda e eu raramente estou por aqui.




Oliveira não conseguiu entender imediatamente o que havia acontecido, muito provavelmente porque lidar com perdas é mais irracional do que conseguimos racionalizar. Mas ele ficou bem. Demorou um pouco, o que foi até bom para ele, porque quando o entendimento veio, não veio assim, em palavras, veio em mudanças e cuidados. Foi um entendimento mais profundo. Ele continuou brincando de esconde-esconde com a morte, mas não brincavam apenas os dois agora. E não era sempre. Era só quando Oliveira percebia que a amiga poderia aparecer quando alguém estava descuidado. Não importava o motivo do descuido, Oliveira não se atentava a origem e sim aos detalhes:


- Coloque o cinto! Não corra no chão molhado! Use o capacete! Olhe para os dois lados antes de atravessar!


Oliveira era até meio irritante e assustado demais, mas era bom ter alguém que conhece tão bem a Morte por perto e como amigo.


Perguntas para guiar descobertas de Interpretações


1, Na sua opinião, por que Oliveira quis ser amigo da Morte?

2. Você seria amigo da Morte?

3. O que você achou da Morte ter se escondido na avó de Oliveira?

4. O que você achou do comportamento da avó de Oliveira chamar a morte?

5. Você se assusta com a Morte?

Lembre-se: não existe resposta certa ou errada, quando o assunto é Literatura. No máximo, opiniões e interpretações diferentes!


Procure entender o que a história desperta e não o que ela significa!

Você gostou dessa história? Teve algo que não gostou? Teve algo que gostou muito? Comente e nos deixe saber!


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