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História para dormir - A Luz que Ficou Acesa | História Infantil Grátis por Jéssica Iancoski

As Histórias Infantis não são só para as crianças! E se você não acredita, então, é porque não conhece as histórias disponíveis aqui!


A boa Literatura Geral se encarrega de traduzir o mundo interno e externo na busca por significados e a Literatura Infantil não fica de fora, embora ela tenha um desafio maior: traduzir as questões sem fugir do simples. Afinal, o publico maior são as crianças!


As crianças quando procuram um bom livro infantil, deparam-se com resoluções de questões universais e se são universais, dizem respeito ao mundo e os sentimentos humanos, não tendo restrições de idade.


Contos curtos para escutar na hora de dormir


Os adultos crescem e por alguma razão se esquecem do poder de boas histórias! Mas isto não é mais um problema, preparamos neste post, uma história infantil muito sensível. O conto foi escrito, gravado e ilustrado por Jéssica Iancoski e está dísponivel grátis aqui no site.


Histórias Para Dormir - A Luz que Ficou Acesa


A Luz que ficou acesa é uma história pequena sobre sentimentos que nunca morrem e como às vezes eles podem ser díficeis. É sobre tolerancia a frutração, crescimento e enfretamento de perdas.


A Luz que Ficou Acesa - Conto Infantil de Jéssica Iancoski



Todo mundo costuma achar, principalmente quando é criança, que ter uma luz acesa é bom. Normalmente, esse pensamento vem na hora de dormir, quando está tudo escuro, mas pode vir em vários outros momentos também. Quando se é adulto, por exemplo, o pensamento costuma vir quando você está dirigindo a noite e quando você vai sair de casa, mas quer que alguém ache que você continua nela.


Pensar na luz acesa como um símbolo de proteção, é sim um pensamento bom de se ter, deixar a luz acesa faz com que a gente se sinta menos só e também menos ameaçado.




Mas nem sempre a luz é boa e você já deve ter percebido isso, porque aposto que o seu pai ou a sua mãe já brigaram com você por você ter se esquecido de apagar alguma luz algum dia e ter deixado ela acesa.


Mas se a luz é boa e às vezes também não é boa… Aíii, isso é muito complicado! É boa ou não é boa? Por que ela não se decide logo?!


Eu conheço uma história sobre isso.. Um dia, eu conheci um menino mais ou menos da sua idade e a luz dele tinha ficado acesa. Isso aconteceu porque ele tinha alguém e um dia essa pessoa saiu. Ela se esqueceu de apagar a luz e daí a luz ficou acesa. Até hoje eu não entendi muito bem se isso foi bom ou não, mas eu sei que o menino não gostou muito.


Teve essa vez que eu e ele conversamos. Ele me contou que a luz ficou acesa por muito tempo e por mais tempo que passasse, a luz nunca apagava. Ele até pediu para a pessoa voltar e apagar a luz, mas ela não fez isso.




Ele me contou que com o tempo, como a luz nunca diminuía, ela começou a doer. E todo dia doía sempre mais. Mas a luz é engraçada, porque ela doía cada vez em um lugar diferente e novo. Começou doendo na barriga, depois foi para a garganta, até que um dia começou a dar falta de ar e doer bem em cima do peito. Aí sim o menino ficou desesperado de verdade. Ele tinha certeza que ele ia morrer, pois parecia muito.


Como a luz doía sempre em um lugar diferente, o menino não sabia muito bem o que fazer e nem sabia como lidar com ela. Porque se doesse sempre na barriga era fácil, ele podia se acostumar. Mas todo dia ele ia dormir e não fazia a mínima ideia de onde a luz acordaria doendo e isso foi enfraquecendo o menino. E por mais que tivessem dias que eram muito difíceis, é verdade também que em alguns, por mais que raros, a luz sossegava um pouco. Mas na maioria do tempo a luz ficava toda acesa e doía muito.


Como a luz doía sempre em um lugar diferente, o menino não sabia muito bem o que fazer e nem sabia como lidar com ela. Porque se doesse sempre na barriga era fácil, ele podia se acostumar. Mas todo dia ele ia dormir e não fazia a mínima ideia de onde a luz acordaria doendo e isso foi enfraquecendo o menino. E por mais que tivessem dias que eram muito difíceis, é verdade também que em alguns, por mais que raros, a luz sossegava um pouco. Mas na maioria do tempo a luz ficava toda acesa e doía muito.


Não dava pra mandar a luz embora, por mais que ele tentasse. Ele precisava muito que a pessoa voltasse e a apagasse, porque ele mesmo não conseguia. Acho que ele não alcançava no interruptor, ou outra coisa assim.


O menino, então, então, foi saindo cada vez menos do quarto porque ele tinha medo de tomar uma bronca porque a luz ficou acesa, mas também porque é difícil sair do quarto quando algo tá doendo. Eu sei que você entende isso, porque aposto que você já faltou a escola ou o trabalho para ficar descansando quando acordou doente algum dia...


O menino precisava ficar no escuro porque isto confortava a luz, dava algum sentido para ela. Com o tempo, você vai perceber que as luzes gostam do escuro, elas se sentem úteis nele. É quase como se sem a escuridão elas não tivessem uma razão para ascender.


E eu acho, mas isso sou eu falando, posso estar errada, que o menino gostava da luz e por mais que ela doesse e enchesse o saco, por alguma razão, ele acreditava que seria pior sem ela. Porque pensa, se uma luz de verdade fica acessa por muito tempo, um dia ela apaga. Uma vela perde o fio e uma lâmpada a fiação. A não ser que a luz do menino seja uma luz de led, aí demora mais tempo mesmo. Faz sentido se pensarmos que a luz do menino era de Led, mas eu não sei não. Eu acho mesmo é que no fundo ele não queria que ela apagasse.


E vou além… É provável que ele nem saiba disso, porque temos várias partes na gente que são bem do contra e que gostam de se esconder bem do fundo da nossa mente, onde tem um lugar, que não tem nem nome exato, porque cada um chama de alguma coisa, para elas ficarem. Às vezes elas saem para dar uma volta, mas sempre quando a gente não tá prestando atenção. Algumas vezes até percebemos, mas fazemos de conta que não, mas na maioria das vezes a gente nem nota.


E eu acho que para o menino a luz era uma dessas coisas, como se fosse um prazer proibido no desprazer.


Mas o que importa de verdade é a história do menino, né?! Então, ele me contou que com o tempo a luz foi parando de doer, por mais que ele não percebesse. Agora, não me recordo com exatidão se a luz diminuiu ou se foi o menino que cresceu. Tendo a achar que a luz ficou do mesmo tamanho, mas como o menino ficou maior, ela não parecia mais tão grande. É parecido com o que acontece com as nossas roupas. Com o tempo elas parecem diminuir, mas na verdade foi a gente que cresceu.



A luz nunca saiu de dentro do menino, por mais que ela tenha ficado bem pequenininha. Também não acho que a luz ficou no lugar que não tem nome exato, mas acho que ficou ali por perto, porque sempre a luz ameaçava a ascender de novo, o menino saia correndo.

E foi engraçado porque com o tempo, o menino começou a correr da luz sem perceber. Ele nem se lembrava direito o quanto ela já tinha doido um dia, mas toda vez que ela ia acender um pouquinho mais, ele não deixava. Apaga essa luz, menino, a luz não pode ficar acesa. Ele mesmo se dava a bronca agora.


Eu não sei se isso foi bom ou não para o menino, mas eu sei que ele encontrou um jeito de viver a vida. Um que ele suportou até o final. Não posso dizer se foi o melhor jeito ou o pior, mas eu acho sim que ele fez o melhor que ele pode.


Para o menino foi uma pessoa que deixou a luz acesa, mas às vezes é um objeto, uma situação, realmente pode ser qualquer coisa...


Eu não posso mandar nada no mundo, posso tentar mudar, mas mandar eu não posso. E eu também sei como a luz pode doer e posso apostar que um dia você também irá descobrir. Quando isto acontecer, porque sempre acontece, eu quero que você entenda que a luz vai parecer estar toda acesa em algum momento e que isso vai doer sim. Não precisa ser diferente, porque não teria como ser. Mas há sim uma coisa que podemos tentar mudar juntos, é um entendimento que o menino não teve: a luz está acesa porque você também é um pedaço de luz. Sabendo disso, eu espero que quando acontecer de a sua luz ficar acesa, você se lembre que você é este pedaço de luz que lembra que é luz. Porque tendo consciência disso, você notará que é possível suportar a luz ao invés de deixá-la apagar, diminuir ou se esconder.


A Luz será bem-vinda em muitos momentos da sua vida. Pode até ser lamentável ela vir com a escuridão, mas também não teria como ser diferente.

Perguntas para guiar a descoberta de interpretações:


1. O que essa história te faz sentir?

2.Teve algo que você não entendeu?

3. Você acha que a luz era boa ou não? Por quê?

4. Você acha que a luz poderia ser algum sentimento? Por quê? E se sim, qual?

5. Você conseguiu se identificar em algo com o menino?


Lembre-se: não existe resposta certa ou errada, quando o assunto é Literatura. No máximo, opiniões e interpretações diferentes!


Procure entender o que a história desperta e não o que ela significa!

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