• Jéssica Iancoski

Guimarães Junior - Visita à Casa Paterna | Adaptação conto infantil curto

Guimarães Junior foi um grande escritor brasileiro que escreveu diversas poesias.


Provavelmente, um de seus poemas mais bonitos se chama Visita a Casa Paterna.


Pensando em homenagear esse poeta e esse poema, resolvemos adaptar o soneto Visita à Casa Paterna, transformando-o em um sensível conto infantil.


Nesta versão de história ilustrada, Luiz Junior depois de crescido resolve retornar a sua casa de infância para uma visita. Isto faz com que memórias sensíveis sejam relembradas por ele, acendendo uma saudades da época de menino.


O conto faz parte das histórias que compõe a segunda temporada do Podcast Histórias para Dormir.


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Guimarães Junior e Jéssica Iancoski - Visita à Paterna: versão conto infantil



Certo dia, depois de ter passado anos afastado dos pais e permanecido muito tempo afastado das suas origens, Luiz que também era Júnior, resolveu fazer uma visita a sua primeira casa - na qual havia passado toda a infância e parte da adolescência. Isto porque parte dele sentia saudades, uma outra sentia curiosidade e uma outra, ainda, estava acabando de sair de uma crise da vida adulta - muito parecida com ventos que sopram forte, chacoalhando todas as estruturas e dando muito medo nos invernos fortes!



A parte que sentia saudades lembrava da infância como o verão mais lindo de todos, no qual fazia sol o dia inteiro e havia mais de quarenta e dois cômodos na casa, para que ela estivesse sempre cheia de gente querendo brincar. Também se recordava da enorme mesa de jantar, sempre com muita comida gostosa, com a qual é possível lambuzar todos os dedos. A memória dos campos no jardim, todos floridos, guardando segredos para serem explorados por todo lado, também permaneciam ali guardados:


- “Adiante! Ainda não olhamos para ver se existe um tesouro no pé daquela árvore! - Luiz Junior lembrou que brincava assim.


As memórias de infância que Luiz Junior havia guardado em sua cabeça eram um retrato tão lindo que se comparava ao nascer mais colorido e brilhante do sol ou ao quentinho do beijinho, na testa ou no nariz, de boa noite de uma mãe.



Junto dessas memórias, também havia a curiosidade de se lembrar o quanto a casa era mágica e enorme! E como as vezes ela se vestia de casa, mas que também já tinha sido navio pirata, restaurante, acampamento, ilhas de tesouros perdidos e tantos outros lugares.


Desta maneira, igualzinho como uma ave que retorna ao ninho antigo, depois do longo e tenebroso inverno, Luiz que também era Junior quis voltar para rever a casa do pai, pois também tinha acabado de escapar do seu próprio inverno, e quis se esquentar das lembranças quentinhas que havia guardado do lar no qual tinha nascido e que era o seu primeiro abrigo.


Tão logo Junior retornou à casa, reparou que ela também parecia ter enfrentado alguns invernos, pois parecia ter encolhido e estar um pouco triste. Além disto, não se achava o sol em nenhum lugar. Já o jardim não parecia mais campo, agora, só parecia um jardim pouco cuidado. A casa também não tinha mais quarenta e dois cômodos, mas sim a metade e a mesa de jantar não parecia mais enorme, era apenas uma mesa como qualquer outra.


A casa estava vazia: não havia gente querendo brincar e nem comidas de lambuzar os dedos postas à mesa:


- Eu não consigo entender o que está acontecendo aqui. Esta parece a minha casa, o endereço é o mesmo e algumas partes ainda são tão familiares, mas tudo aqui nao tem mais cor, não me remete ao quentinho, não é cheia de gente, nem enorme e muito menos mágica! - disse Junior, batendo o pé bastante chateado no chão.


- “CABUMMMMMMMMM” - berrou um barulho que não era vindo do pé de ninguém.




Junior se assuntou. De repente, vindo da parede mais funda da casa, em uma nuvem fosca, algo que parecia um fantasma - mas não desses que dá medo, estava mais para um gênio carinhoso e amigo, Junior até achou que lembrava a sua mãe - se aproximou, trazendo um pouco de cor e magia por todos os cômodos que caminhava.


O fantasma pegou na mão de Junior e olhou de forma tão terna e funda nos olhos dele que ele não teve mais dúvidas:


- Mamãe! - disse Junior ao se encher seus olhos de emoções - Por que a casa não é mais como antes? - acrescentou.


O fantasma materno, então, segurando Junior pela mão, caminhou passo a passo pela casa, dando vida as memórias de seu filho.


Junior se lembrou de tudo! Lembrou-se da sala, lembrou-se das irmãs e da mãe e de como, juntos, ali, naquele espaço, conseguiram trazer luz a claridade à luz noturna:


- A minha infância foi tão boa… - pensou Junior.


O pranto não demorou muito para chegar. Veio quando Junior mais do que ver, tentou sentir as suas lembranças, como se não fizessem parte do passado e estivessem acontecendo naquele momento. Ao se deparar com a impossibilidade de reviver a infância, chorou como quando era criança, jorrando-se em ondas.


- Pra que resistir à esse choro se agora me lembro, e como lembro, de todo o verão de minha vida que vivi aqui?


Junior continuou andando pela casa, emocionando-se com como as suas memórias saiam soltas, correndo pelos cômodos e como ele ainda permanecia menino nelas. Em alguns lugares, havia mais de uma lembrança e elas se sobrepunham, mostrando para Junior que ele era feliz e não sabia.


Em cada cômodo da casa havia uma ilusão e com todas elas uma saudades chorava em cada canto.


- Puxa! O difícil não é crescer, mas sim, não se lembrar! - Luiz que também era Júnior pensou em prantos.


Perguntas para Guiar Descoberta de Interpretações

1. Na sua opinião, por que Junior tem saudades da Infância?

2. Quando você crescer, você acha que terá saudades? Ou você é do tipo que já cresceu?

3. O que você acha que aconteceu com com a Casa de Junior?

4. O que você acha sobre ser criança? Será que é a melhor época da vida?

5. Você concorda com Junior que o difícil não é crescer e sim não se lembrar?

Lembre-se: não existe resposta certa ou errada, quando o assunto é Literatura. No máximo, opiniões e interpretações diferentes!

Procure entender o que a história desperta e não o que ela significa!


Gostou dessa história? Que tal nos contar, o que achou?

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