• Jéssica Iancoski

A Lenda das Andorinhas - Folclore Ucrânia | Histórias Para Dormir

Lenda das Andorinhas do Folclore Ucraniano na versão de Jéssica Iancoski.


É uma história típica da Ucrânia, conta sobre como os antigos explicavam o surgimento das Andorinhas na Terra.


A conto original "A Ira de Perun" foi traduzido e adaptado para o podcast de Histórias para Dormir.


Indicação Livre.


►► Conheça o Podcast Histórias para Dormir: https://open.spotify.com/show/4dj4rmlTQt3wfocgvgKtYz?si=votsIzHoQomFgdoNy3PNBA

História Infantil em Áudio: A Lenda das Andorinhas

Folclore Ucrânia - A Ira de Perun (Lenda das Andorinhas)

(Por Jéssica Iancoski)

Nas margens do Rio Teteriv vivia um jovem caçador e a sua esposa. Ele era o melhor arqueiro de toda a região e ela era ainda melhor do que ele, embora as pessoas não acreditassem, por ela ser mulher.


Um dia, durante o longo e rigoroso inverno, quando os animais se escondiam na floresta e as pessoas já estavam passando fome, o jovem caçador chamou a sua esposa e foram caçar:


- Precisamos caçar! As pessoas estão com fome - ele disse.


- Você tem razão, vamos pegar a nossa espada, nosso arco, as flechas e partir - ela completou.


- Só não podemos ir tão longe.


Então os dois saíram e quando voltaram, trouxeram um grande javali para que as pessoas de sua aldeia pudessem dividir e se alimentar.


Diante deste ato esplêndido e das circunstâncias do inverno, os sábios anciãos da aldeia permitiram que o jovem caçasse na Floresta de Perun, o formidável Deus dos raios e trovões.


Esta foi uma grande honra para ele porque ninguém tinha permissão para caçar lá, mas só ele foi autorizado a sua esposa... não! :/ Porque naquela época muitas mulheres sequer tinham a autorização para entrar na Floresta de Perun e quem diria caçar.


A floresta era um lugar sombrio e Perun gostava de morar sozinho lá. Há muito atrás, o casamento do Deus do trovão fracassou e desde então, por teimosia ele quis morar sozinho, sem nunca mais se casar.

A Aldeia (Ilustração: Artistas Desconhecidos/Histórias para Dormir)

O inverno estava se arrastando e as pessoas estavam ficando sem comida, novamente.


Diante da fome, o jovem caçador, sabendo dos perigos, só agora iria entrar na floresta de Perun para buscar alimento. Ele esperou a fome se agravar porque não queria abusar da permissão concedida a ele. Além do mais, o caçador tinha muito medo do Deus do Trovão.


- Vou caçar o maior javali que eu encontrar - falou o caçador para à esposa.


- Perfeito! Tenho certeza que nós iremos conseguir. - ela disse.


- Calma ai! Você se esqueceu que mulheres não podem entrar na floresta de Perun? Ele não gosta de mulheres! O casamento dele fracassou, você lembra? E os anciãos também não te deram a permissão.


A esposa do caçador ficou muito chateada:


- Eu não concordo com isso! Homens e mulheres tem que ter os mesmos direitos!


Não poder entrar na floresta de Perun e caçar não fazia nenhum sentido para ela, porque ela também era forte, corajosa e ágil. Inclusive, era normal para eles caçarem juntos e muitas vezes, por ela ser tão boa com o arco e flecha e ter muito mais cuidado do que o marido, ela corriqueiramente salvava a vida dele.


O caçador era brilhante, sim, mas tinha uma coragem desesperada que volte e meia o colocava em perigo. A todo momento ele precisava afirmar para si e para a aldeia que ele era um homem forte. Era difícil para ele se sentir menos do que isso.


E embora ele concordasse com a mulher, para ele era impossível violar a lei e enfurecer o próprio Perun…


Então, não teve jeito! O Caçador pegou a espada, o arco, as flechas e foi caçar sozinho, dessa vez.

A Floresta de Perun (Ilustração: Artistas Desconhecidos/Histórias para Dormir)

Bom pelo menos, foi o que ele achou...


A esposa não gostou de saber que ele realmente entraria sozinho na floresta do Deus do Trovão para caçar o maior javali de todos sem ela. Ela ficou muito assustada porque sabia que o marido estaria correndo um grande perigo, ao enfrentar com um animal tão grande e feroz.


Ela também sabia que, por mais que ele não admitisse, ele tinha medo secreto de não conseguir - ainda mais porque, na cabeça dele, ele era um homem viril e se sentiria menos masculino se fracassasse caçando.


Por isso, ela esperou ele sair, se preparou para a caçada e o seguiu secretamente.


O Caçador ia indo, tranquilo, caminhando pela floresta, procurando um javali bem grande; enquanto a esposa ia sorrateiramente atrás, escondida, correndo silenciosamente de uma árvore para outra, sempre muito bem camuflada para não ser descoberta.


Andaram por horas, até que entraram nas profundezas da Floresta de Perun e ouviram um


- UUUUUUUUH!!!!


Um rugido terrível surgiu, vinha correndo, cada vez mais próximo, derrubando as folhas das árvores quando passava.


Era um Javali que vinha correndo na direção do caçador, com suas presas terríveis projetadas para atingir o jovem em cheio.


O jovem rapidamente encontrou um lugar para se esconder e pensar no que faria para capturar a fera.


A esposa já estava escondida atrás do tronco de uma das árvores, um pouco atrás do esconderijo do marido. Ela continuava só observando, mas estava com medo de que o marido não a visse e atirasse uma flecha nela, ao invés de acertar o javali. Afinal, toda a atenção do caçador estava no javali.


O animal continuava lá, em pé furioso, procurando pelo caçador. O javali era grande como uma montanha! E queria o homem fora dali.


- Nossa! Ele é tão grande que será alimento suficiente para toda a aldeia quando eu matá-lo - pensou o caçador;


Então o caçador pegou o arco, armou com a flecha afiada e….


ZAAAASSSS.


Atirou a flecha.

Flecha na Testa do Javali (Ilustração: Artistas Desconhecidos/Histórias para Dormir)

A flecha saiu cortando o ar e acertou em cheio bem na testa do javali, mas a flecha ricocheteou.


- Meu Deus, o couro desse javali é muito duro! Como a flecha não o perfurou?! - o homem ficou perplexo.


E a fera ficou ferozmente furiosa e ao invés de fugir, correu com muita raiva em direção ao jovem - já que agora sabia onde ele estava escondido.


O caçador ficou muito assustado, nunca tinha visto os olhos de um animal com tanta sede e ódio. Uma montanha brava vinha em sua direção, quase como se desmoronasse e diante daquela avalanche o caçador congelou de medo.


O javali continuou correndo!

E correndo….

Estava cada vez mais perto do homem….

E mais cada vez mais r á p i d o . . .


Quando o javali já estava bem próximo do caçador, a esposa berrou:


- Sai dai! Pula!


Então, no último momento, o caçador conseguiu se mover, pulando para o lado e se esquivando da fera - graças ao berro da esposa que o despertou.


O animal passou reto, enfiando as suas presas no tronco da árvore que a esposa estava escondida.


O caçador não demorou nada pegou a espada e cortou a cabeça da fera ZINNNNN antes que o animal pudesse ferir a sua esposa. Ao fazer isso, espirrou sangue para todos os lados, inclusive neles.


SPLAAASSHH


Ela tinha sido só um pouco atingida pelo javali, mas nada que fosse grave. O tronco da árvore era grosso, como o couro daquele javali.


O caçador, muito surpreso com tudo aquilo, correu para junto da esposa e depois de se assegurar que ela estava bem, perguntou com muito medo de Perun:


- O que você faz aqui?


Mas era tarde… Perun já tinha visto tudo aquilo e estava com muito mais raiva do que o javali. Ele sim queria matar os dois!


Então…Mas mudou de ideia:


- Não vou matar vocês, vocês se amam e ficarão juntos para sempre. Mas como me desrespeitaram vou transformá-los em pássaros!


- CABUMMMM - Perun trovejou.


O caçador e a sua esposa saíram voando, transformados em uma nova espécie de pássaro: as asas eram afiadas como a ponta de suas espadas, a cauda parecia a extremidade de uma flecha de caça e em seus peitos brancos ainda era possível ver as gotas de sangue espirradas do javali.

Andorinhas (Ilustração: Artistas Desconhecidos/Histórias para Dormir)

Foi assim que as primeiras andorinhas apareceram.


E a partir desse dia, o caçador e a sua esposa, construíam ninhos e tiveram muitos passarinhos.


Se você reparar eles continuam felizes juntos, cantando por aí:


- PIU PIU PIU.


Mas se você reparar bem e aproximar o ouvido do bico deles enquanto cantam, você conseguirá ouvir que na verdade eles estão dizendo:


Antes de sermos andorinhas,

Nós éramos humanos sorridentes,

Nunca se esqueça que nós

Também somos seus parentes!


O casal nunca mais pode caçar, mas desde então sempre que alguém da sua aldeia precisa buscar alimento, eles ajudam, guiando os corajosos pelas florestas e garantindo que ninguém morra de fome.

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