• Jéssica Iancoski

A Lenda da Gralha Azul - Jéssica Iancoski | Folclore Paraná

Lenda da Gralha Azul do folclore paranaense na versão de Jéssica Iancoski.


A História Infantil em Áudio foi gravada para o Podcast Histórias Para Dormir.

Conta sobre uma ave que não se sentia grande coisa e só achava que tinha defeitos!


Até que percebe algo importante sobre si...


O que será?


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A Lenda da Gralha Azul (Folclore Brasileiro: Jéssica Iancoski/Histórias Para Dormir)

História Infantil em Áudio: A Lenda da Gralha Azul


Há muito e muito tempo, no sul do Brasil, no estado do Paraná, existia uma gralha toda pretinha e muito esquecida!


Ela não se sentia grande coisa e vivia cabisbaixa pensando consigo:


- Eu sou muito parecida com qualquer outra ave, não me destaco em nada! Não sou a mais bonita e nem a maior… Eu queria ser especial! A única coisa que tenho de diferente é um defeito, sou muito esquecida. Nunca consigo lembrar em que lugar deixei a minha comida, ou o que eu tenho para fazer… Aiii…


E para complicar ainda mais a cabeça da coitadinha, as outras aves viviam implicando com ela:


- Vê se não é a ave esquecida! - dizia o Papagaio - Eu, por outro lado, consigo decorar centenas de palavras humanas!


- Vê se não é a ave toda pretinha e monocromática! - dizia a Arara - Eu, por outro lado, sou cheia de cores, um espetáculo!


- Vê se não é a ave sem nenhum talento - dizia o Tangará-dançarino - Eu, por outro lado, danço como nenhuma outra ave!


E era assim, um desaforo atrás do outro todos os dias! Todas as outras aves não se cansavam de dizer para a Gralha o quanto ela era inferior e o quanto elas eram grandiosas.


E a Gralha pretinha foi ficando muito triste e a cada dia mais tristinha…


Até que chegou o dia em que ela não conseguia levantar do ninho e passava os dias ali, em cima de uma Araucária - o “pinheiro-do-paraná” - se escondendo do mundo só para não ser lembrada do quanto ela era normalzinha demais.


Chegou o tempo que ela só se levantava para comer. Então, todo dia, ela ia lá, pegava um pinhão, comia a pontinha e enterrava o resto para comer mais tarde. E como tinha medo de que outros animais encontrassem o que tinha sobrado do alimento, camuflava o lugar com folhas, galhinhos e pedrinhas.


E ela escondia tão bem que não conseguia encontrar depois e muito menos se lembrar em qual lugar tinha guardado. Já que era esquecida…


E, sendo assim, a Gralha precisava repetir isto todas as manhãs.


Ela passou vários dias nessa rotina: encolhidinha no ninho, só se levantando para se alimentar de pinhão!


Só não passou mais dias porque apareceu um lenhador e começou a tombar a árvore em que ela vivia:


- FLAPTTTT, FLAPTTTT - fazia o machado do homem.


- ZRUUUUMMM - fazia a serra elétrica.


Até que “IOOOOOONNNN” a árvore caiu.



Bem nesta hora, a Gralha saiu voando, ainda mais triste e inconsolável, o mais alto no céu que conseguiu.


Quando já estava bem alto, ela ficava se perguntando:


- Por que tudo sempre dá errado para mim? Que vida mais desgraçada a minha! Não posso nem ficar na minha que, ainda sim, o mundo insiste em me machucar! Céus, o que devo fazer agora?


TANANANANAM.


Foi quando de repente… Lá do fundo, do céu, do vento, de dentro, tanto faz, surgiu a voz da sabedoria dizendo:


- Segue a tua vida, Gralha! Não há nada de errado com você, você é perfeita do jeito que é! É uma pena que você não consiga perceber isso!


- Como assim eu sou perfeita? Eu não tenho a memória do papagaio, eu não sou bonita como a arara e nem tenho o talento do Tangará… Aliás, quem é você e por qual razão me diz o que me diz?


- Ôoo Gralhinha… Eu sou a voz da sabedoria, oras! Alguns me chamam de Deus, outros de natureza, outros de chamado interior… A verdade é que não importa quem eu sou, mas importa o que eu te digo. Por isto, reforço, você é perfeita! E se é “esquecida” é por alguma razão.


- E que razão seria essa? Você está dizendo que na verdade o meu “defeito” é, também, a minha qualidade?


- Exatamente, bonitinha! É só que ainda você não percebeu… Sabe o que acontece com os pinhões que você se esquece onde enterrou? Eles brotam, crescem e se transformam em árvores! Você ajuda a preservar as florestas…. plantando.


- Isto quer dizer que se eu me lembrasse em que lugar deixei a minha comida, existia menos árvores no mundo?


- Sim! Porque você voltaria lá para comer…


Depois de dizer isso, a voz sumiu, tão misteriosamente quanto apareceu, deixando plantado um novo sentimento dentro da Gralha.


- Agora eu sei o meu propósito! - pensava a Gralha.


E sempre que alguma ave vinha encher o saco, ela enchia o peito de orgulho para dizer:


- Eu sou uma replantadora de araucária!


Desse dia em diante, a Gralha conseguiu encontrar a leveza da vida, ressignificando que o que ela compreendia como esquecimento, na verdade, era a sua missão.


E a Gralha se apegou tanto a essa sabedoria que vestiu a camisa:


Foi só a próxima troca de penas chegar que ela ganhou uma linda plumagem azul em todo o corpo, menos na cabeça, na parte frontal do pescoço e na parte superior do peito - exatamente como se ela literalmente tivesse vestido uma camiseta azul decotada.


Foi assim que A Gralha Azul surgiu.


E não é por acaso que ela se tornou uma das aves paranaenses mais importantes, pois a sua contribuição para a preservação da floresta de Araucárias, Árvore Símbolo do Paraná, é de suma importância.


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