• Jéssica Iancoski

20 poetisas brasileiras que você precisa conhecer

O Brasil está repleto de poetas e poetisas incríveis.


Por isto, separamos 20 poetisas brasileiras que você precisa conhecer!

20 Poetisas Brasileiras (Poesia Brasileira: Jéssica Iancoski/Toma Aí Um Poema)

1. Cecília Meireles


Cecília Benevides de Carvalho Meireles foi uma jornalista, pintora, poeta, escritora e professora brasileira.


Ela nasceu em 1901 no Rio de Janeiro e faleceu em 1964.


Poema Retrato


Eu não tinha este rosto de hoje,

Assim calmo, assim triste, assim magro,

Nem estes olhos tão vazios,

Nem o lábio amargo.


Eu não tinha estas mãos sem força,

Tão paradas e frias e mortas;

Eu não tinha este coração

Que nem se mostra.

Eu não dei por esta mudança,

Tão simples, tão certa, tão fácil:

- Em que espelho ficou perdida

A minha face?


2. Hilda Hilst


Hilda de Almeida Prado Hilst foi uma poeta, ficcionista, cronista e dramaturga brasileira.


Ela nasceu em 1930 em São Paulo e faleceu em 2004.


Hilda Hilst (Poesia Brasileira: Fotógrafo desconhecido/Toma Aí Um Poema)

Poema Dez Chamamentos ao Amigo


(Parte I)


Se te pareço noturna e imperfeita

Olha-me de novo.

Porque esta noite

Olhei-me a mim, como se tu me olhasses.

E era como se a água

Desejasse

Escapar de sua casa que é o rio

E deslizando apenas, nem tocar a margem.

Te olhei. E há um tempo

Entendo que sou terra. Há tanto tempo

Espero

Que o teu corpo de água mais fraterno

Se estenda sobre o meu. Pastor e nauta

Olha-me de novo. Com menos altivez.

E mais atento.

3. Helena Kolody


Helena Kolody foi uma poetisa brasileira.


Ela nasceu em 1912 no Paraná e faleceu em 2004.

Poema Sonhar


Sonhar é transportar-se em asas de ouro e aço

Aos páramos azuis da luz e da harmonia;

É ambicionar o céu; é dominar o espaço,

Num vôo poderoso e audaz da fantasia.


Fugir ao mundo vil, tão vil que, sem cansaço,

Engana, e menospreza, e zomba, e calunia;

Encastelar-se, enfim, no deslumbrante paço

De um sonho puro e bom, de paz e de alegria.


É ver no lago um mar, nas nuvens um castelo,

Na luz de um pirilampo um sol pequeno e belo;

É alçar, constantemente, o olhar ao céu profundo.


Sonhar é ter um grande ideal na inglória lida:

Tão grande que não cabe inteiro nesta vida,

Tão puro que não vive em plagas deste mundo.


4. Elisa Lucinda


Elisa Lucinda dos Campos Gomes é uma poeta, jornalista, cantora e atriz brasileira.


Ela nasceu em 1958 no Espirito Santo.


Elisa Lucinda (Poesia Brasileira: Fotógrafo desconhecido/Toma Aí Um Poema)

Poema Safena


Sabe o que é um coração

amar ao máximo de seu sangue?

Bater até o auge de seu baticum?

Não, você não sabe de jeito nenhum.

Agora chega.

Reforma no meu peito!

Pedreiros, pintores, raspadores de mágoas

aproximem-se!

Rolos, rolas, tinta, tijolo

comecem a obra!

Por favor, mestre de Horas

Tempo, meu fiel carpinteiro

comece você primeiro passando verniz nos móveis

e vamos tudo de novo do novo começo.


Iansã, Oxum, Afrodite, Vênus e Nossa Senhora

apertem os cintos

Adeus ao sinto muito do meu jeito

Pitos ventres pernas

aticem as velas

que lá vou de novo na solteirice

exposta ao mar da mulatice

à honra das novas uniões


Vassouras, rodos, águas, flanelas e cercas

Protejam as beiras

lustrem as superfícies

aspirem os tapetes

Vai começar o banquete

de amar de novo

Gatos, heróis, artistas, príncipes e foliões

Façam todos suas inscrições.

Sim. Vestirei vermelho carmim escarlate


O homem que hoje me amar

Encontrará outro lá dentro.

Pois que o mate.


5. Conceição Evaristo


Maria da Conceição Evaristo de Brito é uma escritora brasileira.


Ela nasceu em 1946 em Belo Horizonte.


Poema da Calma e Do Silêncio


Quando eu morder

a palavra,

por favor,

não me apressem,

quero mascar,

rasgar entre os dentes,

a pele, os ossos, o tutano

do verbo,

para assim versejar

o âmago das coisas.

Quando meu olhar

se perder no nada,

por favor,

não me despertem,

quero reter,

no adentro da íris,

a menor sombra,

do ínfimo movimento.

Quando meus pés

abrandarem na marcha,

por favor,

não me forcem.

Caminhar para quê?

Deixem-me quedar,

deixem-me quieta,

na aparente inércia.

Nem todo viandante

anda estradas,

há mundos submersos,

que só o silêncio

da poesia penetra.


6. Ana Cristina Cesar


Ana Cristina Cruz Cesar foi uma poeta, crítica literária, professora e tradutora brasileira.


Ela nasceu em 1952 no Rio de Janeiro e faleceu em 1983.


Poema Que Deslize


Onde seus olhos estão

as lupas desistem.

O túnel corre, interminável

pouco negro sem quebra

de estações.

Os passageiros nada adivinham.

Deixam correr

Não ficam negros

Deslizam na borracha

carinho discreto

pelo cansaço

que apenas se recosta

contra a transparente

escuridão.


7. Deborah Brennand


Deborah Brennand foi uma poetisa brasileira.


Ela nasceu em Pernambuco em 1927 e faleceu em 2015.

Poema A Rosa


Não estremeças a mão

desmancha ferozmente, igual ao vento,

estas pétalas de sangue, ainda vivas,

armadas na desordem de uma flor.


Quem fui? Que sou?


Agora, uma senhora antiga

que na tarde silenciosa de abril,

borda sonhos na forma

de perfeita e sangrenta rosa.


E tu quem és agora?


8. Adélia Prado


Adélia Luzia Prado de Freitas é uma poetisa, professora, filósofa e contista brasileira.


Ela nasceu em 1935

Poema Janela


Janela, palavra linda.

Janela é o bater das asas da borboleta amarela.

Abre pra fora as duas folhas de madeira à toa pintada,

janela jeca, de azul.

Eu pulo você pra dentro e pra fora, monto a cavalo em

você,

meu pé esbarra no chão.

Janela sobre o mundo aberta, por onde vi

o casamento da Anita esperando neném, a mãe

do Pedro Cisterna urinando na chuva, por onde vi

meu bem chegar de bicicleta e dizer a meu pai:

minhas intenções com sua filha são as melhores possíveis.

Ô janela com tramela, brincadeira de ladrão,

claraboia na minha alma,

olho no meu coração.


9. Miriam Alves


Miriam Aparecida Alves é escritora brasileira.


Ela nasceu em São Paulo em 1952.


Miriam Alves (Poesia Brasileira: Fotógrafo desconhecido/Toma Aí Um Poema)

Poema Fumaça


Estou a toque de máquina

corro,louca, vôo, suo

a fumaça sou eu


Estou a toque de nada

vivo, ando

como a comida envenenada

e o comido sou eu


estou a toque de selva

os ferros torcidos, sacudidos

dentro de uma marmita

e a marmita sou eu


Nego, mas vivo dizendo

Sim

a tudo que me dói na cabeça

e o doido sou eu

Paro, mas estou sempre correndo

doem as pernas, os pés

e este corpo é o meu


Amanhã me encontra acordada

como a noite deixou

e o insone sou eu


Indago, mas não estou escutando

a pergunta anda solta

e ninguém explicou

que a resposta sou eu


10. Alice Ruiz


Alice Ruiz Scherone é uma poeta, haicaista, letrista e tradutora brasileira.


Ela nasceu no Paraná em 1946.

Poema Assim que vi você


Assim que vi você

Logo vi que ia dar coisa

Coisa feita pra durar,

Batendo duro no peito

Até eu acabar virando

Alguma coisa

Parecida com você

Parecia ter saído

De alguma lembrança antiga

Que eu nunca tinha vivido,

Mas ia viver um dia

Alguma coisa perdida

Que eu nunca tinha tido

Alguma voz amiga

Esquecida no meu ouvido

Agora não tem mais jeito,

Carrego você no peito

Poema na camiseta

Com a tua assinatura

Já nem sei se é você mesmo

Ou se sou eu que virei alguma coisa tua


11. Pagu


Patrícia Rehder Galvão foi uma escritora, poetisa, diretora, tradutora brasileira.


Ela nasceu em 1910 em São Paulo e faleceu em 1962.

Poema Um Peixe


Um pedaço de trapo que fosse

Atirado numa estrada

Em que todos pisam

Um pouco de brisa

Uma gota de chuva

Uma lágrima

Um pedaço de livro

Uma letra ou um número

Um nada, pelo menos

Desesperadamente nada.


12. Marina Colasanti


Marina Colasanti é uma escritora italo-brasileira.


Ela nasceu em em 1937 na Eritreia na e atualmente tem 82 anos.


Marina Colasanti (Poesia Brasileira: Fotógrafo desconhecido/Toma Aí Um Poema)

Poema Sexta-Feira à Noite


Sexta-feira à noite

os homens acariciam o clitóris das esposas

com dedos molhados de saliva.

O mesmo gesto com que todos os dias

contam dinheiro papéis documentos

e folheiam nas revistas

a vida dos seus ídolos.


Sexta-feira à noite

os homens penetram suas esposas

com tédio e pênis.

O mesmo tédio com que todos os dias

enfiam o carro na garagem

o dedo no nariz

e metem a mão no bolso

para coçar o saco.


Sexta-feira à noite

os homens ressonam de borco

enquanto as mulheres no escuro

encaram seu destino

e sonham com o príncipe encantado.



13. Fernanda Young


Fernanda Maria Young foi uma escritora brasileira.


Ela nasceu em 1970 no Rio de Janeiro e faleceu em 2019.


Poema Crânio (Trecho)


As suas outras costelas me

encarceraram em seu plexo.

toc-toc-toc, bati com

timidez, logo que notei

Que deveria partir.

Ninguém abriu a porta.

Pedi, chorei, arranhei seu

interno. Nada.

Você não me quis, mas me

Prendeu. Você não me quis,

mas me costurou em você.


14. Cora Coralina


Anna Lins dos Guimarães Peixoto Bretas foi uma poetisa e contista brasileira.


Ela nasceu em Goiais em 1889 e faleceu em 1985.


Poema Meu Destino


Nas palmas de tuas mãos

leio as linhas da minha vida.


Linhas cruzadas, sinuosas,

interferindo no teu destino.


Não te procurei, não me procurastes –

íamos sozinhos por estradas diferentes.


Indiferentes, cruzamos

Passavas com o fardo da vida...


Corri ao teu encontro.

Sorri. Falamos.


Esse dia foi marcado

com a pedra branca da cabeça de um peixe.


E, desde então, caminhamos

juntos pela vida...


15. Clarice Lispector


Clarice Lispector foi uma escritora e jornalista ucraniana naturalizada brasileira.


Ela nasceu em 1920 na Ucrânia e faleceu em 1977 no Brasil.

Poema Sonhe


Seja o que você quer ser, porque você possui apenas uma vida e nela só se tem uma chance de fazer aquilo que quer.

Tenha felicidade bastante para fazê-la doce. Dificuldades para fazê-la forte. Tristeza para fazê-la humana. E esperança suficiente para fazê-la feliz.

As pessoas mais felizes não têm as melhores coisas. Elas sabem fazer o melhor das oportunidades que aparecem em seus caminhos.

A felicidade aparece para aqueles que choram. Para aqueles que se machucam. Para aqueles que buscam e tentam sempre. E para aqueles que reconhecem a importância das pessoas que passam por suas vidas.

16. Ana Maria Machado


Ana Maria Machado é uma jornalista e escritora brasileira.


Ela nasceu em 1941 no Rio de Janeiro e atualmente tem 78 anos.

Poema Primeiro Mar (Trecho)


Tantas páginas lidas muito antes Tantos livros que enchiam as estantes Tantos heróis a povoar os sonhos Tantos perigos, monstros tão medonhos


Nos tempos sem tevê e sem imagem Palavras fabricavam paisagem


Tesouros, mapas, ilhas tropicais, Argonautas, recifes de corais, Perigos na neblina entre rochedos, Vinte mil léguas cheias de segredos.


Histórias de naufrágio e abordagens, Ulisses, Moby Dick, mil viagens, Robinson, calmarias, um motim, Descobertas, veleiros, mar sem fim.


17. Myriam Fraga


Myriam Fraga foi uma poeta, jornalista e escritora brasileira.


Ela Nasceu na Bahia em 1937 e faleceu em 2016.


Poema Sete Poemas (Trecho I)


Não me deixes ficar,

Não me abandones

Neste ninho de abutres,

Neste burgo

Que espreita o mar

De cima de seus montes

Como fera que espreita,

Ave de rapina,

Atenta aos inimigos

Que surgem no horizonte.


Não me deixes ficar,

Não espedaces

O que ainda resta de mim,

Não abandones

A quem te deu o corpo

E o pensamento

E a quem pisaste um dia

Como pisa o dono

O chão de seus alquebres.


Não me esqueças aqui.

Arrasta com teu fado

Este bicho inocente

Que fareja teu rastro,

Esta pobre coisa triste

Que existe porque existes.


Ai, não me deixes não.

Apaga nos espelhos

A imagem que criaste,

O sono e o pesadelo.


Horas de sofrimento,

Instantes de alegria,


O açoite da chibata

E o bálsamo dos dedos,

O caminho para as Índias

E o rastro para o abismo


A curva de meu seio

Em tua mão tremendo,

Minha boca em tua boca

As sílabas repetindo

Deste amor que me trouxe

Como dote e destino,

Horas de sofrimento,

Instantes de alegria.


18. Adalgisa Nery


Adalgisa Maria Feliciana Noel Cancela Ferreira foi uma poetisa brasileira.


Ela nasceu em 1905 no Rio de Janeiro e faleceu em 1980.



Poema Patrimônio


Pesam nos meus ossos Os meus pensamentos, Choram nos meus olhos As visões neles crescidas, Soluçam no torpor das minhas carnes Ancestrais desalentos.

Sangram os meus pés Na inútil andança Da imaginação liberta, Pulveriza o meu espírito A solidão do suicida ignorado E cresce assustadoramente dentro de mim A calmaria que precede o fim.


19. Ruth Rocha


Ruth Machado Lousada Rocha é uma escritora brasileira.


Ela nasceu em 1931 em São Paulo e atualmente tem 89 anos.


Ruth Rocha (Poesia Brasileira: Fotógrafo desconhecido/Toma Aí Um Poema)


Poema Pessoas São Diferentes


São duas crianças lindas

Mas são muito diferentes!

Uma é toda desdentada,

A outra é cheia de dentes...


Uma anda descabelada,

A outra é cheia de pentes!


Uma delas usa óculos,

E a outra só usa lentes.


Uma gosta de gelados,

A outra gosta de quentes.


Uma tem cabelos longos,

A outra corta eles rentes.


Não queira que sejam iguais,

Aliás, nem mesmo tentes!

São duas crianças lindas,

Mas são muito diferentes!


20. Bônus: Jéssica Iancoski


Jéssica Iancoski é uma escritora e poeta brasileira.


Ela nasceu no Paraná em 1996 e atualmente tem 24 anos.


Jéssica Iancoski (Poesia Brasileira: Jéssica Iancoski/Toma Aí Um Poema)

Poema Pingam As Rosas Azuis


No criado-mudo repousam rosas azuis respeitando a neblina do silêncio.

Um Relógio pendula o tempo, debatendo-se

Oscilam-se os lados,

hora-esquerda,

hora-direita.


Uma rósa chóve outrá balançá

Desprende-se

e píngá ´´´´´´´´´´:

E cai nos azulejos

Pétalas deslizam como lágrimas regando de azul a superfície.


Então paro, me pergunto

E desabo-tou:


Quantás-batídás-até-que-se-caule?_ _ _ _ _


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