Poesia Para O Sol

Pela manhã

O sol afastou as cortinas 

Me forçando abrir os olhos só para vê-lo.

Ele parecia alegre, estonteante,

Mas era demais para as minhas retinas.

Foi entontecedor. 

 

E quando eu já estava toda torta,

O sol fez um sinal atormentador,

Sem economizar na tonalidade amarela com que se impõe o grande soberano tirano da manhã,

Fez que ia tomar para si a esperança com que penso tornar os dias melhores para mim.

 

O sol querendo brincar de trampolim não pode ser uma coisa boa.

 

Não tive bondade para aprecia-lo assim

E nem disposição para pular com ele

Pois me responde

Quem é que acorda desse jeito?

 

Guardo os meus pulos para o salto final

E é isso.

 

Faz dias que sou chuva

E não tinha como não saber e nem ser diferente 

É visível que algo em mim foi embora

Que mudou que prescreveu que ultrapassou a validade.

Então, me reponde:

Custava me deixar dormir até mais tarde?

 

Não digo hoje, 

Mas todos os dias.

Eu não quero mais acordar,

até que seja realmente preciso

Ou tarde.

Eu Já estou atrasada

E ainda sim continuo muito cansada.

 

Eu perdi algo que não sei o que é

E  não posso procurar,

Se eu soubesse eu iria.

Mas também sinto falta demais para fazer algo

E como sinto.

 

Tenho certeza que foi culpa da frestinha que deixei aberta, na quarta a tarde.

Ou foi naquela quinta pela manhã?

 

Na janela,

Só restou as gotas que sequei tão profundamente

Que foi preciso chover

Para molhar o meu rosto.

 

Me custa saber onde foi que as coisas desandaram 

E se não posso mais sentir a alegria com que o sol me empresta o seu corpo todo dia

para vestir em minha pele o dourado brilhante da vida

É culpa da letargia 

E se ela é letal,

Não sei, 

Mas que é fetal todo dia em posição na minha cama, 

Isso eu não gostaria de saber

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© 2020 por Jéssica Iancoski. 

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